O que eu queria escrever não importa mais agora. Eu quero muita coisa, mas quando escrevi coloquei o verbo no passado por engano… Agora já foi, no passado também. Ela está aqui me cutucando, dizendo que as palavras não precisam ser tão irremediáveis assim. Desculpa, mas tenho andado com pessoas muito fatalistas ultimamente (observe o tempo verbal). Inevitável, como aquelas certezas absolutas. Então ignoro os gritos dela e mudo completamente a idéia original para uma descrição dum certo eu lírico vaca meio-lobisomem que quer dominar o mundo, mas só sai da acomodação na literatura mesmo. Ta e daí que ninguém vai entender? Alguém manda ela calar a boca que não estou conseguindo me concentrar! Voltemos à vaca-lírica… Ela ainda quer alguma coisa e sabe o que é: um grampeador que pode virar imã de geladeira ou qualquer coisa em noite de lua cheia, mas nada que a ajude muito a alcançar seu alvo. A vaca sabe de todas as centenas de possibilidades inúteis à sua frente e não desiste de nenhuma delas sem tentar. Engraçado, alguém tinha que vencer o medo né?! Ela ta aqui sussurrando que preferia que outras pessoas fossem assim. Mas pense bem, antes uma vaca com objetivo que nada. Só mais uma perguntinha, ou melhor, algumas: Quantos estômagos tem uma vaca? Quantos minutos duram um dia inteiro? Quem disse que nada é para sempre? Ah! Uma resposta: alguém me disse que é bom ser impulsivo. Mas de acordo com o Neil Gaiman “as pessoas que crêem no que seus gatos lhes dizem merecem tudo o que conseguem”.
As fotos estão lá no flickr – http://www.flickr.com/photos/adaltonsilva