Aqüífera

Lá do alto ela olhava desconsolada, tinha esperado por tantos anos. Abaixo assinado. Visita a prefeitura. Horas em pé. A água finalmente jorrava aos montes na sua rua. Mas não subira a ladeira. Restava pegar os baldes e entrar em mais uma fila, a que poderia ser sua última. Gostava de pensar que a espera era por um tipo de água que nunca acabaria, que nunca mais precisaria subir ladeira com balde na cabeça umas 20 vezes por dia. Cantava aquela marchinha triste e esperava, e subia, e carregava, e existia, e… Largou o balde, deixou cair a água sob seus pés. Correu o mais rápido que pode, deixando tudo para trás. Mas tudo a seguia para onde quer que fosse. A ladeira, a água, os pés, o peso…

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