Das noites todas absurdas sem sono gentil para me acalmar bem me lembro da sua falta e dos rascunhos amassados no canto, no mesmo que guardo nossos segredos e centenas de sonhos realizados ou não. Lá do outro lado, distante, onde nenhum esquecimento é capaz de chegar, os sentidos ainda não foram nomeados; daí estão livres da limitação semiótica das coisas. Resolvi escrever um dicionário representativo descritivo ilustrado para que só você entendesse. Não via nele letras ou formas. Sinestesia. O cheiro nada mais é que partículas; e o som, ondas… Juntando as texturas de cada amassadinho do papel com o verde da samambaia, e as gotas de água da chuva que acabou de começar, os cacos de vidro com areia, as formigas da grama que nos amam, o escuro do cinema, a comida chinesa e as longas caminhadas. Cada detalhe pensado para não ser dito. Quando aquela folha caiu em seu bolso num anúncio alarmante de eternidade você finalmente entendeu o que eu queria dizer todas aquelas noites no Vale do Eco para nunca ser banalizado.