Quando a porta se abriu e aquele urso enorme me recebeu com um abraço senti uma pontinha de medo, todo urso guarda dentes afiados apesar do olhar cativante. Ainda bem que sempre tem a mão quente para me dizer: calma, isso é só ficção. Daí uma hamster me veio dizer que era bem vinda e que podia ficar à vontade. Ela me contou a história dela, de como se sentia presa sem o ursão para empurrar sua rodinha de criatividade e sentimento, achei parecida com a fábula do leão e do ratinho, registrei tudo para a posteridade. Esopo está ficando ultrapassado.
O sofá era bom de deitar e, por ser uma cama, dava vontade de falar coisas que só se falam para amigos em festa de pijama. Pipocas se fizeram e no meio daquela neblina chegou a coruja, por si só sábia e necessária, se fazendo presente no canto da janela, observando tudo como quem escreve mentalmente em latim clássico e traduz pro braulês na hora de falar para se fazer entendida, ou não.
Sabe o que sua mãe sempre te disse para fazer antes de falar? A piriquita não fazia nunca. Às vezes parecia canto, às vezes grito de desespero, às vezes risada, e na maioria das vezes compulsão mesmo. Voando de um lado por outro, soltando penas e flashes, fazendo todos na clareira a acompanhar, e, de certa forma, unindo todos, ela exibia-se faltando um pedaço para quem quer que chegasse.
Não era fácil sair de minha cartola segura. Ali tinha dentes, música, mão quente, pipoca, rodas, neblina, poleiro e penas. Vivia me perdendo e me achando por dentro e por fora, em todos os sentidos. Então quando a porta se fechou atrás de mim soube que voltaria algumas outras vezes.
p.s.: Agradecimentos especiais para Ana C. pelo título.
eu sou um hamster!!!
heheueuheuh
que fofo, betí!!!
beijos e mais beijos!!!
^_^
ps: sabe o mais engraçado? jack AMA corujas.