Re-impressões duma cidade que engole tudo – Parte I

Engraçado, todo mundo usa tênis o tempo todo. Nunca mais tinha visto uma mãe de sapato fechado. Só as menininhas que querem ficar na moda usam sandálias, mas parece que sabem do preço a pagar: frio quando escurecer e desconforto do descostume.

Quando criança eu amava sentar ao contrário no carro para ver as coisas passando ao contrário no campo de visão. É muito legal poder sentar certo e poder observar tudo de mais diverso vir de trás e sumir na curva ali. Nunca tinha andado de trem antes.

Gosto de só poder registrar isso na memória ou escrevendo. Parece que cada detalhe fica ainda mais único e vivo não eternamente estático numa fotografia. Tudo se move.

Tive que enfrentar meu medo de altura, quem diria que isso aconteceria no mais terrestre dos transportes. Tem uma distância considerável entre o vagão e a plataforma. Não é necessário pular, apenas dar um passo. Mas lá em baixo: 2 metros de altura e trilhos.

Reinventaram aqui o jeito de comer o mais atraente dos grãos. Sabe aquela fome de passar a tarde inteira andando? Aquela fome de comida de verdade, não de lanche? Daí vem aquele cheiro maravilhoso e a descoberta: milho cozido, apenas os grãos, cortados na hora, com manteiga e sal, quantas espigas quantas forem necessárias para encher o vasilhame descartável por um único preço! Idéia que precisa ser copiada em todos os lugares do mundo, em todo ponto de ônibus e estação na hora do rush.

One Response

  1. A idéia do milho é muito boa mesmo! Interessante para tira-gosto de bar, hein?
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