Enquanto eu lavava os pratos

Como vão as poesias? Tem tempo que não escrevo poesias. Por quê? Sei lá, não tive inspiração. Todo mundo tem dessas horas, improdutivas. Mas até que eu tenho escrito bastante, só que não poesias. Tá com medo de fazer rima pobre é? Talvez, mas elas sempre acabam aparecendo. Você já conseguiu vencer esse trauma? Talvez, depois daquele soneto que escrevi aos 15 e até hoje conserto; meu perfeccionismo ainda acaba comigo. Você ama suavizar seu transtorno obsessivo compulsivo chamando de perfeccionismo. Ninguém precisa saber disso. Não concordo, mas tudo bem. Você bem que podia concordar comigo de vez em quando. E deixar de estimular sua capacidade de persuasão? Jamais! Mas eu já desisti de te convencer faz tempo… Que pena! Ah, me poupa; prefiro conviver com essas diferenças. Mesmo te perturbando tanto assim? É, mesmo assim. Fácil resolver as coisas desse jeito. Quer café? Quero sim, mas não muda de assunto. Já era, já mudei. Deixa que eu coloco o açúcar. Estou usando adoçante ultimamente. Medo de engordar? Não, medo de morrer antes de escrever o poema perfeito. Mas adoçante dá câncer. Esse que eu uso não. Quando você tem explicações plausíveis para as coisas eu fico assustado. Pronto, acabei. Então vamos terminar essa conversa na sala. Vamos terminar agora, aqui.

2 Responses

  1. Esse seu alter-ego tá “saindo” muito…… /me, quero te conhecer!

  2. Olha esse texto foge dos limites do racional…por isso é que eu adorei. Pode-se supor uma simples conversa entre amigos(as) em uma cozinha (isso devido ao título). Agora o que me chamou a atenção, foi o jogo que Beth fez, na questão de saber se ela conversava com um amigo imaginário, ou com alguém de carne e osso… também achei interessante a não divisão das falas das personagens, no caso a separação dos diálogos por meio do travessão.Mais uma vez parabéns pelo texto.

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