Um carta para João

(…)
Ah! Ontem vi aquele seu melhor amigo da época da escola na rua, ele não me reconheceu, também, mudei tanto, eu o reconheci e me lembrei de você e dos absurdos que me dizia. Gritei seu nome só para meu acordar. Engraçado como ainda rio das mesmas piadas que me contava.
Aquele rio que a gente cruzou ainda está lá. As trilhas aumentaram. Te agradeço e só. Amanhã vou tentar esquecer e enfrentar mais um teste de resistência ao ar do mundo todo. Quem sabe não pode ser você a cruzar meu caminho, como da primeira vez. Encolhida no mesmo canto parece que ainda espero. A música que você dedicou para mim não toca mais no rádio. Descobri outro dia que o autor é desconhecido. Alguém atribuiu à Drummond. Ri disso também.
Acordar às vezes me cansa, faz tempo que organizei isso tudo numa linha lógica e teimo em me desobedecer. Nada do que me disse depois que foi embora levo em conta. Prefiro me deixar pensar naquela tarde de agosto sóbria em que vimos aquele menininho correr atrás de nosso ônibus como se pudesse alcançar, usar todas as forças, desistir num ato desesperado e projetar uma imagem de filme em nossas cabeças.
Me falta pouco para conviver com tudo isso de uma forma mais madura. Minha mãe vive me aconselhando a deixar ser, canta Beatles para mim e me bota na cama. Ela colocou a pintura que me fez no fundo de uma caixa para jogar em cima seus anseios. Aceito tudo como se fosse o que realmente quero. Mas como posso se meus pés ainda estão molhados? Desculpa, sei que odeia temas recorrentes. Não consigo ser diferente.
Sinceramente,

Sua eterna…

There are no comments on this post

Leave a Reply