O que permitimos e não, que diferença há? Não podemos impedir a entrada do cheiro de jasmim, nem dos gritos da vizinha. As janelas abertas engolem tudo, alimentam a mente de imagens que lembram cheiros, que evocam sons… É tanta coisa que ele gosta dos óculos, da moldura, para escolher o que ver. É tanta coisa que foi possível para ele fotografar o invisível. É tanta coisa que gravando cada milímetro de seu corpo ela o reteve para sempre. É tanta coisa maravilhosa que ele vê, mas tem gente que enxerga e não vê. Não deixar isso tudo passar despercebido é uma tarefa para aqueles iluminados cujo brilhantismo invejamos. Todas as milhares partículas de luz num centímetro de olhar não mentem, o que vemos mesmo são reflexos. Mas ele tem aquela insaciável sede por sentido, objeto que não se acha com olhar displicente, que se pode procurar em lugares ao alcance do terceiro olho, aqueles em que abaixamos a cabeça para ouvir melhor. Capacitando todas as incongruências percebidas pelo olhar num fluxo contínuo, o conjunto de tudo que chamamos de mundo se mostra diferente, mesmo sendo o mesmo, em cada janela…
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Amei filha. Gosto de cheiros e detalhes…. Talvez por isso amo tanto minha família e minha casa tem tantos detalhes para ver ou ainda para descobrir. Sinto que preciso as vezes fechar os olhos, abaixar a cabeça e ficar quieta… só ouvindo…