A inquisição

Livraria. Campo aberto para qualquer coisa. Café e coisas improváveis.
- O que é aquela coisa?
Eu olho. Um homem (?) de costas, short curto (para enfatizar o tamanho), pelos dourados e cabelos tingidos, camiseta curta, barriga de fora, chapéu de tecido desbotado e havaianas velhas. Destoa de todo o resto. Exótico.
– O que é que tem?
– Que figura!
Era mesmo, no meio daquele bando de gente normal, do tipo que vai a lançamento de livros e tem opinião crítica sobre a poética de Faulkner.
– O que será que ele (?) está lendo?
– Não dá pra ver…
– Já pensou se pudesse escolher os livros que ninguém deve ler?
– Não.
– O que você jogaria na fogueira?
– Tudo de Paulo Coelho.
– Com certeza, além de Dan Brown.
– Aham e essas coisas de auto-ajuda.
– Ah, deixa eu jogar Harry Potter vai! Deixa! Deixa!
– Não.
– Jogaria o que ele está lendo? - aponto para a figura que chamou nossa atenção.
– Provavelmente.
– Não dá pra ver o que é…
– O que será?
Deu para ver. O risinho da figura agora sentado na poltrona lendo.
– Baudelaire vai para a fogueira?

5 Responses

  1. Olha, já deu pra notar que não serei um freqüentador assíduo desse blog, né?

    No mais, adorei a idéia. :)

  2. AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH!!! Te entregaram, te achei!!!

    Porra, Bauds não vai pra fogueira não…tão bonzinho…

    heuheheuehue
    Saudades!!!

    beijos e mais beijos,

    tia caró

  3. passei por aquiii

  4. Achei uma delícia o texto!!

  5. Parabéns Bete, seus textos são ótimos.
    Bjos

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